A decisão de modernizar um parque precisa distinguir o que está cadastrado, o que foi observado e o que ainda é hipótese. Misturar essas categorias produz estimativas frágeis e transfere incerteza para o projeto.
Comece pelas fontes e suas limitações.
Reúna cadastros patrimoniais, bases geográficas, faturas e memórias de cálculo, ordens de serviço, registros de manutenção, projetos anteriores, arquivos da distribuidora e levantamentos de campo. Para cada conjunto, registre responsável, data de extração, período coberto e restrições de uso.
Diferenças entre bases não devem ser apagadas silenciosamente. Um ponto presente na cobrança e ausente no cadastro, por exemplo, vira uma pendência identificável, não uma correção automática sem trilha.
O inventário deve servir ao projeto e à operação.
A estrutura mínima depende do objetivo, mas normalmente precisa ligar um identificador estável a localização, tipo de via ou espaço, poste e braço, altura e avanço, luminária e fonte existentes, comando, circuito quando disponível, estado observado, histórico e evidências como fotos.
| Grupo | Pergunta | Controle necessário |
|---|---|---|
| Identidade | O mesmo ponto é reconhecido em todas as bases? | Identificador estável e regra de conciliação |
| Localização | A posição representa o ativo real? | Coordenada, precisão e data |
| Configuração | O conjunto instalado está descrito? | Campos padronizados e evidência |
| Condição | O estado foi observado ou inferido? | Data, método e responsável |
| Energia | O consumo pode ser reconciliado? | Fonte, período e premissas |
Verificação em campo precisa de método.
Defina o que será verificado em todos os pontos e o que será avaliado por amostra. A amostra deve representar tipologias, regiões, condições e riscos relevantes; uma visita apenas aos locais mais acessíveis não mede a qualidade do cadastro inteiro.
Equipe, aplicativo, horário, tolerâncias, equipamentos e critérios para foto ou medição precisam estar definidos antes da mobilização. Mudanças de classificação durante o levantamento devem ser versionadas e comunicadas.
Inspeção visual, medição elétrica, levantamento geométrico e medição luminotécnica respondem a perguntas diferentes. O diagnóstico deve dizer qual método sustentou cada conclusão.
Qualidade de dados deve ser mensurável.
Avalie completude, unicidade, consistência, atualidade e rastreabilidade. Em vez de afirmar que a base está “boa”, informe a cobertura de cada campo crítico, as divergências encontradas e a proporção verificada em campo.
As lacunas devem gerar ações: nova coleta, reconciliação documental, premissa conservadora ou impedimento temporário de avançar. Essa decisão precisa ser aprovada pelo responsável pelo projeto.
O diagnóstico termina com decisões.
- base de inventário versionada e dicionário de dados;
- mapa de fontes, responsáveis e regras de conciliação;
- relatório de qualidade com amostra e método;
- lista de lacunas, riscos e responsáveis pela correção;
- segmentação do parque para cenários de projeto;
- baseline de consumo documentada, sem confundir estimativa com medição;
- registro da decisão de avançar, complementar ou revisar o levantamento.
Esses entregáveis alimentam o projeto de iluminação pública e reduzem ambiguidades no termo de referência.
Referências públicas consultadas.
Este roteiro foi confrontado com os objetivos de modernização e eficiência apresentados pelo Procel Reluz e com o Guia para Iluminação Pública do Inmetro. As referências orientam o processo, mas não substituem normas vigentes, requisitos locais nem responsabilidade técnica.

